Desigualdades de gênero na política habitacional: evidências do plano de moradia popular de Maringá-PR, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.21527/2237-6453.2026.64.18201Palavras-chave:
Desigualdades de gênero, Política habitacional, Participação das mulheres, Desigualdades urbanas, MaringáResumo
Este artigo discute como desigualdades de gênero influenciaram a participação das mulheres no processo de elaboração do Plano de Moradia Popular de Maringá. A partir de uma abordagem qualitativa, a pesquisa foi construída por meio de análise documental, observação dos encontros e entrevistas semiestruturadas realizadas com dez mulheres vinculadas ao processo participativo em diferentes posições. Os resultados evidenciam um descompasso entre a composição da demanda habitacional no município, majoritariamente feminina, e a presença efetiva dessas mulheres nos espaços de debate da política pública. Embora formalmente abertos, os espaços participativos mostraram-se atravessados por barreiras relacionadas ao território, à mobilidade, ao cuidado, à renda, à raça e à própria organização institucional da participação. A centralização das reuniões, os custos de deslocamento, a sobrecarga cotidiana e a linguagem técnica limitaram sobretudo a permanência de mulheres diretamente afetadas pela precariedade habitacional. Conclui-se que a existência formal de mecanismos participativos não garante participação efetiva quando as desigualdades que estruturam o acesso à cidade e à moradia continuam operando no interior da própria política pública.
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