Arranjos interorganizacionais e o extrativismo não madeireiro no Quilombo do Pacoval, Pará - Brasil
DOI:
https://doi.org/10.21527/2237-6453.2026.64.17604Palavras-chave:
Arranjos interorganizacionais, Produtos florestais não madeireiros, Cadeias de sociobiodiversidade, Análise não-paramétrica, Cumaru, Comunidades quilombolasResumo
O artigo analisa como o arranjo interorganizacional do Entreposto Sociobio Pacoval reorganiza a cadeia extrativista da amêndoa de cumaru no quilombo do Pacoval (Alenquer-PA), em contexto de assimetria de poder na comercialização de produtos florestais não madeireiros. Realizou-se estudo de caso em pesquisa-ação, com abordagem mista, combinando análise temática de dados qualitativos e estatística descritiva de registros quantitativos, comparando a cadeia antes e depois da implantação do entreposto. Os resultados indicam que, no arranjo prévio, a intermediação e a necessidade de liquidez imediata limitavam transparência, poder de barganha e captura de valor. Com o entreposto, a oferta foi centralizada, os preços pagos e os volumes comercializados aumentaram, e houve fortalecimento organizativo. Persistem limites de capital de giro, dependência de parceiros e fragilidades logísticas. O estudo contribui ao evidenciar o entreposto como tecnologia social que reposiciona comunidades quilombolas na cadeia de valor e orienta políticas de fomento a PFNMs.
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