Assistência em lactação por enfermeiras consultoras: Tive um estalo, tem um campo aí

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21527/2176-7114.2025.50.15154

Palavras-chave:

Consultores, Aleitamento Materno, Lactação, Enfermagem, Enfermagem materno-infantil, Empreendedorismo

Resumo

O objetivo deste estudo é descrever a assistência em lactação por meio da consultoria prestada por enfermeiras. Trata-se de um estudo exploratório-descritivo de abordagem qualitativa. Participaram 20 enfermeiras consultoras em lactação. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas via Google meet, gravadas e transcritas. Os dados foram analisados na modalidade temática. A consultoria em lactação decorre de vivências pessoais e do desejo de empreender nessa área. Entretanto, os temas aleitamento materno e empreendedorismo são superficiais na formação em enfermagem para atuação qualificada. É prestada nas modalidades online e presencial, ocorre principalmente no puerpério e no domicílio das clientes. Ao destinar-se a mãe-bebê-família e rede ampliada se possível, suas ações abrangem orientações gerais, cuidados com o bebê e manejo clínico em lactação. A consultoria promove empoderamento e autoconfiança materna para amamentar, possibilita atuação autônoma do enfermeiro, mas também sobrecarga, ausência de renda salarial fixa e cobrança de sucesso nos desfechos do aleitamento materno. Conclui-se que a consultoria em lactação é um campo profissional empreendedor emergente na enfermagem. A ampliação dessa potente estratégia nos serviços públicos e privados de saúde poderá contribuir com o aumento das taxas de aleitamento materno. A atuação da enfermeira consultora favorece melhores práticas em lactação que implicam de forma positiva na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e na saúde infantil.

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Publicado

2025-06-02

Como Citar

Damitz, L. O., Cabral, F. B., Langendorf, T. F., de Oliveira, J. P., & da Silveira, A. (2025). Assistência em lactação por enfermeiras consultoras: Tive um estalo, tem um campo aí. Revista Contexto & Saúde, 25(50), e15154. https://doi.org/10.21527/2176-7114.2025.50.15154

Edição

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Artigo Original