Aversão de licenciandos em química ao uso de slides em sala de aula
DOI:
https://doi.org/10.21527/2179-1309.2026.123.17335Palavras-chave:
Tecnologia, Ensino de Química, Motivação acadêmicaResumo
Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa qualitativa que investigou a percepção de licenciandos em Química de uma universidade pública do interior paulista acerca do uso de slides como recurso didático, analisando sua atual condição enquanto tecnologia educacional. A investigação, de caráter exploratório, utilizou entrevistas e questionários aplicados a 14 estudantes, com análise fundamentada na Análise Textual Discursiva (ATD). Os dados revelam que, embora os slides sejam amplamente utilizados pelos docentes, os discentes já não os reconhecem mais como tecnologia, associando-os a práticas pedagógicas convencionais, pouco interativas e desestimulantes. Essa percepção indica uma mudança nos critérios de reconhecimento do que é compreendido como tecnológico, marcada pela obsolescência atribuída a recursos que se tornaram parte do cotidiano acadêmico. A saturação do uso dos slides e sua banalização no ambiente universitário evidenciam um processo de naturalização das tecnologias, que, ao perderem o caráter de inovação, deixam de ser problematizadas em sua dimensão pedagógica e cultural. O estudo aponta que o simples uso de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) não garante, por si só, inovação no processo de ensino-aprendizagem. Torna-se necessário, portanto, considerar a intencionalidade didática, o contexto formativo e a escuta ativa dos estudantes como elementos centrais para a ressignificação dos recursos utilizados. A pesquisa contribui para o debate sobre o uso crítico da tecnologia na educação, evidenciando a urgência de práticas pedagógicas planejadas que superem a mera digitalização de métodos tradicionais e favoreçam uma aprendizagem significativa.
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