A temática ambiental nos documentos oficiais: Reflexos das relações entre biocolonialidade do poder e sentidos sobre meio ambiente na educação ambiental
DOI:
https://doi.org/10.21527/2179-1309.2026.123.17934Palabras clave:
Educação Ambiental, Análise do Discurso, Biocolonialidade, Documentos oficiais, BNCCResumen
Este artigo emerge de uma pesquisa de doutorado em andamento e tem como objetivo compreender os sentidos sobre meio ambiente e Educação Ambiental nos discursos de documentos oficiais brasileiros: Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA), Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) e Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (DCNEA). Adotou-se como referencial teórico-metodológico a Análise do Discurso de vertente franco-brasileira (Orlandi), articulada ao conceito de biocolonialidade do poder (Cajigas-Rotundo). A análise focou nas condições de produção dos documentos, nas formações discursivas as quais se filiam, nas formações imaginárias materializadas e na tensão entre paráfrase e polissemia presente nos termos-chave. Os resultados evidenciam profundas contradições discursivas: enquanto PNEA, DCNEA e ProNEA filiam-se a uma formação discursiva crítica, compreendendo o meio ambiente como espaço de vida interconectado e a Educação Ambiental como prática política e transformadora, a BNCC inscreve-se em uma formação discursiva pragmática, que reduz a natureza a recurso a ser gerido e silencia a Educação Ambiental, substituindo-a por termos como sustentabilidade em uma lógica de mercado. Conclui-se que tais contradições expressam, no campo educativo, o funcionamento da biocolonialidade, que mercantiliza a vida e impõe visões fragmentadas de natureza, aprofundando a crise de identidade da Educação Ambiental brasileira e inviabilizando práticas pedagógicas efetivamente transformadoras.
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