Corpos e palavras feridas: A campanha #NÃOSECALE na luta contra violências corporais e sexuais infantis
DOI:
https://doi.org/10.21527/2179-1309.2026.123.17128Palabras clave:
campanhas, infâncias, violências corporais e sexuaisResumen
Este artigo move-se pela aposta no enfrentamento das violências corporais e sexuais que vicejam sobre alguns corpos infantis brasileiros. Emerge, na contemporaneidade, um conjunto de campanhas digitais relativas à proteção das infâncias que produz certo reconhecimento das crianças como sujeitos de direitos corporais e sexuais. Assim, questionamos: Como a Campanha #NÃOSECALE, do Instituto Liberta, opera no enfrentamento das violências corporais e sexuais vivenciadas nas infâncias? O corpus analítico delimita-se em um combinado de imagens produzidas pela Campanha #NÃOSECALE, as quais são elaboradas a partir de relatos de histórias de mulheres adultas que enunciam publicamente que foram violentadas corporal e sexualmente na infância. A escolha metodológica baseia-se em Schwengber (2012) a partir do uso de imagens como recurso metodológico de pesquisas pós-críticas em educação, e, ainda, na perspectiva foucaultiana (Foucault, 2004, 2015) acerca dos discursos e enunciados veiculados nas imagens. As análises permitem reconhecer que a Campanha #NÃOSECALE exerce papel educacional e político (da palavra) ante as violências, as quais estão implicadas ao processo enunciativo, isto é, de exposição, de produção e de compartilhamento da dor e do sofrimento vivido nas histórias de vida. Pelo ato de narrar-se, contar-se, suas vozes transitam nessa dinâmica de fragilidade, de denúncia e de responsabilização de todos nessa forma de partilha. Além disso, a campanha #NÃOSECALE contribui para que diversos sujeitos se inspirem e tomem coragem de falar sobre a violência vivenciada, uma vez que os relatos de histórias contribuem para romper o indizível, fazendo com que essas violências sejam percebidas, reconhecidas e discutidas publicamente.
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