O corpo que a farda não pode costurar: Signos, silêncios e pluralidades na educação amazônica
DOI:
https://doi.org/10.21527/2179-1309.2026.123.17199Palabras clave:
Farda escolar, Decolonialidade, Violência simbólica, Currículo oculto, AmazôniaResumen
Este estudo analisa os sentidos atribuídos à farda escolar em um estado do sudoeste amazônico brasileiro. Por meio de análise qualitativa e documental, investiga-se o uniforme em uma rede pública de ensino localizada na Amazônia Ocidental, com ênfase nos elementos visuais e textuais que naturalizam corpos e silenciam identidades locais. A metodologia articula três movimentos: análise visual do artefato, crítica à legislação educacional e proposta decolonial de reconcepção estética. Fundamentado em teóricos como Foucault, Bourdieu e Bakhtin, o estudo mobiliza uma abordagem dialógica para orientar a interpretação dos achados. Os resultados apontam que a padronização, embora justificada por discursos de igualdade, reforça exclusões ao impor signos aristocráticos. Como alternativa, propõe-se substituir lemas coloniais por expressões indígenas, incorporar grafismos locais e cores inspiradas na biodiversidade, o que transforma o uniforme em instrumento de resistência cultural. Conclui-se que a farda, longe de se reduzir a um artefato neutro, pode ser lida como documento político.
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