Associação entre síndrome pós-covid-19 e qualidade de vida em comunidades quilombolas de Santarém, Pará, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.21527/2176-7114.2026.51.15687Palavras-chave:
síndrome pós-covid-19, qualidade de vida, saúde públicaResumo
Objetivo: Avaliar a associação entre a Síndrome Pós-COVID-19 e a qualidade de vida de quilombolas no município de Santarém (PA). Método: Estudo transversal, quantitativo, realizado nas comunidades quilombolas de Tiningu e Murumuru (agosto–setembro/2023). Foram inicialmente identificados 32 indivíduos com registro/suspeita de condição pós-COVID; após aplicação dos critérios de elegibilidade (sintomas persistentes por ≥12 semanas e exclusão por condição prévia interferente), a amostra final foi de 25 participantes. A coleta ocorreu por entrevista face a face, em português, com leitura padronizada das alternativas. A qualidade de vida relacionada à saúde foi avaliada pelo EQ-5D-5L (cinco dimensões: mobilidade, cuidados pessoais, atividades habituais, dor/mal-estar e ansiedade/depressão) e pela escala visual analógica (VAS, 0-100) de saúde autopercebida. As análises incluíram estatística descritiva e testes de associação (p<0,05), com comparação da VAS entre níveis das dimensões por Kruskal-Wallis e modelos de regressão (logística para VAS categorizada e linear para VAS contínua). Resultados: Observou-se comprometimento relevante em múltiplas dimensões, com destaque para dor/mal-estar moderados (56,0%) e presença expressiva de limitações em mobilidade e atividades habituais. A VAS apresentou média de 63,3 (DP 22,3) e mediana de 70, indicando percepção global intermediária de saúde. Verificou-se correlação negativa entre a severidade do comprometimento nas dimensões do EQ-5D-5L e a VAS (r = −0,44), sugerindo pior percepção de saúde conforme aumenta a carga de limitações. Conclusão: Entre quilombolas com Síndrome Pós-COVID-19, houve evidências de redução da qualidade de vida, especialmente em dor/mal-estar e aspectos funcionais, reforçando a necessidade de acompanhamento e intervenções de reabilitação e saúde mental na atenção primária, sensíveis às vulnerabilidades do território.
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